🚨 Aviso de spoiler: este review comenta a trama com detalhes, incluindo cenas e reviravoltas. Se você ainda não assistiu e quer chegar sem saber de nada, melhor ver primeiro e voltar depois.
Vale demais, e a resposta curta cabe numa cena: um filhote de iguana correndo por uma praia cheia de cobras é, até hoje, um dos minutos mais tensos que já passaram numa TV. Não é exagero nosso, a sequência ganhou o BAFTA de “momento imperdível” do ano, votado pelo público britânico. 🦎
Planeta Terra II é a prova de que documentário de natureza pode ser blockbuster. A BBC levou dez anos para voltar ao seu maior sucesso, e voltou com drones, câmeras estabilizadas que perseguem os bichos em vez de espiar de longe, e trilha do estúdio do Hans Zimmer. O resultado parece cinema, mas tudo ali aconteceu de verdade.
Nesse review a gente conta o que funciona, o que pesa contra (sim, existe polêmica), o que o resto da internet achou e para quem essa série é. Bora?
Ficha rápida: ★ 8.6 · Série documental · 2016 · 1 temporada, 6 episódios de ~50 min · BBC, narração de David Attenborough · Documentário, Família · Disponível na HBO Max
Do que fala Planeta Terra II
Cada episódio é um habitat: Ilhas, Montanhas, Selvas, Desertos, Campos e, no gran finale, Cidades. A ideia é simples e genial: em vez de organizar por bicho, a série mostra como a vida se vira em cada tipo de lugar, do leopardo-das-neves no Himalaia aos leopardos que caçam porcos à noite no meio de Mumbai. São episódios independentes, dá para ver fora de ordem e um por noite.
O que funciona
A câmera, antes de tudo. A série foi filmada em ultra HD com estabilizadores que acompanham a correria dos animais, e isso muda completamente a sensação: você não observa a caçada, você está dentro dela. A cena da iguana é o exemplo famoso, mas o episódio de Montanhas tem imagens de leopardo-das-neves que a própria BBC passou décadas tentando conseguir.
O outro segredo é a edição. Cada sequência é um mini-thriller com começo, meio e fim: a preguiça nadando atrás de um par no episódio de Ilhas, o morcego enfrentando escorpião no deserto, os ursos se coçando nas árvores em ritmo de dança. Você se pega torcendo, rindo e sofrendo por bicho que nem sabia que existia, e é isso que separa Planeta Terra II de um documentário bonito qualquer.
A trilha segura o clima como num filme de ação, com tema de abertura do Hans Zimmer e a música de cada episódio assinada por Jacob Shea e Jasha Klebe, e a narração do Attenborough continua sendo a voz definitiva do gênero. E tem o fator “cair o queixo”: foram anos de filmagem em dezenas de países para garantir que praticamente todo episódio tenha ao menos uma sequência que você vai querer voltar para rever.

O que pesa contra
Sejamos justos: quase nada, mas existe uma discussão honesta. Boa parte do áudio dos bichos é recriada em estúdio (foley), prática padrão em documentário de natureza que incomoda parte do público quando descobre. E o episódio de Cidades divide: para uns é o mais criativo, para outros foge da proposta. A cena das tartaruguinhas confundidas pelas luzes urbanas em Barbados é de partir o coração, e gerou até debate sobre a equipe intervir ou não (interveio, e salvou as que pôde).
Fora isso, o “defeito” é o de sempre: seis episódios acabam rápido demais.
O que dizem por aí
É um consenso raro. No IMDb a nota beira 9.5, território de melhor série já feita, qualquer gênero. No Reddit, o r/television tratou a estreia como evento, com a cena da iguana virando meme e referência de “TV que justifica a 4K”. A crítica seguiu na mesma linha: a série levou o Emmy de melhor fotografia e o de melhor série documental do ano, além do tal BAFTA do momento imperdível, em que a iguana desbancou Game of Thrones na votação popular.
E o tempo só confirmou. Mesmo depois de Planeta Terra III, boa parte dos fãs segue apontando o II como o auge da franquia, justamente pelas sequências que viraram lenda. Se você garimpar reviews no YouTube e no Letterboxd, o padrão se repete: nota máxima com a ressalva de que acaba cedo.
Para quem é (e para quem não é)
É para quem quer algo que a família inteira assiste junto sem ninguém pegar o celular, para quem acabou de comprar uma TV boa e quer dar trabalho a ela, e para quem gosta de tensão sem violência gratuita. Não é para quem procura enredo contínuo ou personagens fixos: cada episódio recomeça do zero, e maratonar tudo numa noite dilui o impacto. Um por noite é o ritmo perfeito.
Veredito final
Nota ★ 8.6, das mais altas entre os documentários do nosso catálogo, e mereceria mais. É a natureza filmada como blockbuster, com imagens que justificam a TV grande. Ver ficha e onde assistir →
Perguntas rápidas
Tem continuação? Tem: Planeta Terra III saiu em 2023. E o “primeiro”, de 2006, segue valendo muito.
Crianças podem assistir? Podem, é classificação livre. Só saiba que caçadas acontecem e nem todo bicho fofo sobrevive.
Precisa ver o primeiro Planeta Terra antes? Não, os episódios são totalmente independentes.




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