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As Cores do Mal: Preto vale a pena? Review completo (2026)

· 6 de agosto de 2026

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🚨 Aviso de spoiler: este review comenta a trama com detalhes, incluindo cenas e reviravoltas. Se você ainda não assistiu e quer chegar sem saber de nada, melhor ver primeiro e voltar depois.

Vale, e o filme é bom, mas a resposta honesta vem com um aviso na frente: este não é o thriller para pôr no ar numa noite em que você quer relaxar. 🌫️ As Cores do Mal: Preto é sobre o desaparecimento de uma criança numa cidade pequena, e ele leva esse assunto a sério do primeiro ao último minuto, sem alívio cômico e sem a catarse que o gênero costuma oferecer no fim.

É a continuação de As Cores do Mal: Vermelho, com Adrian Panek de volta na direção e no roteiro e Jakub Gierszał de volta como o promotor Leopold Bilski. Os dois filmes saem dos romances de Małgorzata Oliwia Sobczak, que virou uma pequena mina de ouro para a Netflix polonesa. Estreou em 10 de junho de 2026 e caiu no colo do público na hora: 14,1 milhões de visualizações e 25 milhões de horas na primeira semana, o primeiro lugar entre os filmes de língua não inglesa na semana de 8 a 14 de junho e o terceiro lugar geral do catálogo, tanto nos Estados Unidos quanto no mundo.

Neste review a gente conta o que o filme acerta, onde ele entrega o jogo antes da hora, o que os números e a crítica dizem de verdade e para quem ele é. Bora?

Ficha rápida: ★ 6.9 no TMDB · Nossa nota 7,0 · Filme · 2026 · 1h50 · Suspense, Policial · Direção de Adrian Panek · com Jakub Gierszał e Marianna Zydek · Disponível na Netflix

Do que fala As Cores do Mal: Preto

O promotor Leopold Bilski vai parar em Kartuzy, uma cidade pequena e fechada na região da Caxúbia, no norte da Polônia. Uma criança desapareceu, e o que começa como uma busca aflita vira outra coisa quando a investigação esbarra num caso antigo de desaparecimento que ninguém na cidade tem vontade nenhuma de reabrir. Marianna Zydek está no papel da família que fica esperando notícia, e o elenco de apoio traz Andrzej Chyra como o procurador-chefe Andrzej Pakosz, Beata Ścibakówna e Robert Gonera como o comandante da polícia local.

A moldura é a de sempre no policial nórdico: cidade pequena, inverno permanente, gente que se conhece demais. O que o filme faz de diferente é onde põe a pergunta. Aqui importa menos quem cometeu o crime e muito mais quem ficou sabendo e escolheu calar, e essa troca de eixo é a melhor ideia do roteiro. Detalhe importante para quem chega agora: o caso não tem ligação com o do primeiro filme. Vermelho tratava de feminicídio, Preto trata de crime contra criança, e as histórias são separadas.

O que funciona

Jakub Gierszał sustenta o filme. O Bilski dele não é o investigador infalível de série de TV: é um cara desgastado, que erra, que se irrita, que carrega o que viu no caso anterior sem transformar isso em fala bonita. Marianna Zydek faz o contraponto com uma presença que segura a câmera sem precisar de discurso, e o elenco de apoio, especialmente Andrzej Chyra na pele da autoridade que sorri enquanto empurra a coisa para debaixo do tapete, entrega justo o tipo de vilania que dá arrepio por ser plausível.

O acabamento também é de gente grande. A fotografia de Karina Kleszczewska e a trilha de Bartosz Chajdecki constroem uma atmosfera opressiva que não depende de susto barato nenhum, e a Caxúbia funciona como personagem: floresta, água escura, casas espalhadas, aquele silêncio que em cidade pequena é sempre suspeito. Quem viu o primeiro filme vai reconhecer a mão, e quase toda a equipe é a mesma: mudaram a fotografia, que em Vermelho era de Tomasz Augustynek, e o roteiro, que lá tinha Łukasz M. Maciejewski ao lado do Panek e aqui é só dele. Direção, montagem, trilha e produtora seguem idênticas.

E vale insistir na virada temática, porque é o que separa esse filme da pilha de thriller de streaming. Ao mudar a pergunta de quem matou para quem sabia, o roteiro deixa de perseguir um monstro isolado e passa a olhar para a rede de gente comum que protege o monstro por conveniência, medo ou vergonha. É um assunto desconfortável e atual, e o filme não pisca na hora de encará-lo.

Cena de As Cores do Mal: Preto, thriller policial polonês da Netflix

O que pesa contra

O problema é que o filme entrega o jogo antes da hora. As reviravoltas se anunciam com bastante antecedência para quem tem quilometragem no gênero, e a revelação final apela para uma carta que esvazia parte do trabalho de investigação: você acompanha o raciocínio do promotor por quase duas horas e a resposta chega por um caminho que não premia quem estava raciocinando junto. É o tipo de escolha que faz o filme perder no detalhe o que ganhou na atmosfera.

Some a isso uma cronologia embaralhada, com flashbacks que entram sem aviso e exigem atenção constante para você não se perder em quem é quem e em que ano está, e personagens secundários que existem mais para cumprir função do que para existir. O ritmo é lento de propósito, e a lentidão funciona enquanto o mistério aperta; quando afrouxa, cansa. Por fim, o mais óbvio: o tema é brutal e o filme não oferece alívio. Isso é coerência artística, não defeito, mas precisa estar dito antes de você apertar o play.

O que dizem por aí

Os números de estreia são de sucesso e merecem contexto. Os 14,1 milhões de visualizações da primeira semana colocaram o filme em primeiro entre os títulos de língua não inglesa e em terceiro no geral, e isso é bastante para um policial polonês falado em polonês. Mas o capítulo anterior põe a marca em perspectiva: Vermelho ficou sete semanas no top 10 global e somou 45,4 milhões de visualizações e 84,9 milhões de horas. Ou seja, Preto teve a largada mais forte, e a maratona ainda estava em disputa quando escrevemos isto. No TMDB, os dois estão praticamente empatados, 6.9 para Preto com 139 votos e 6.7 para Vermelho com 299.

Já a crítica, é preciso dizer com todas as letras, não formou consenso e nem tem tamanho de amostra para formar: no Rotten Tomatoes o filme aparece com oito resenhas e sem porcentagem consolidada, e a nota de público está com menos de 50 avaliações. O que existe são opiniões individuais, e elas se espalham de um extremo ao outro. O Heaven of Horror deu 4 de 5, elogiando o acabamento e a atuação de Gierszał e alertando para os flashbacks sem sinalização. O Ready Steady Cut ficou em 3,5 de 5. O Common Sense Media deu 2 de 5, reclamando que a complexidade da trama atrapalha o ritmo. E teve crítica arrasando de vez, chamando o filme de solene por fora e vazio por dentro. Aqui na casa a nota é 7,0, um pouco acima do 6.9 do TMDB: o acabamento, o tema e o Gierszał seguram o filme, e o que impede de subir mais é a previsibilidade das viradas.

Para quem é (e para quem não é)

É para quem gosta de policial sombrio no estilo nórdico, com investigação lenta, cidade pequena e corrupção institucional no meio do caminho. É para quem curtiu o primeiro filme e quer mais do mesmo universo. E é para quem prefere um suspense que investiga a omissão coletiva em vez de caçar um psicopata genial.

Não é para quem tem qualquer sensibilidade com o assunto de crime contra criança, e aqui a gente recomenda pular sem culpa: o filme não suaviza nada e não oferece consolo no fim. Também não é para quem quer suspense de virada surpreendente, porque as pistas ficam visíveis cedo, nem para uma sessão em família, apesar de ser filme de catálogo e estar ali fácil de achar.

Veredito final

Nossa nota é 7,0, contra ★ 6.9 no TMDB. As Cores do Mal: Preto é um thriller bem feito, bem atuado e corajoso no assunto que escolheu, que tropeça justamente no departamento em que um policial não deveria tropeçar: a surpresa. Se você entra pela atmosfera e pelo retrato de uma cidade que preferiu não ver, sai satisfeito. Se entra querendo ser enganado pelo roteiro, sai antes do fim. Ver ficha e onde assistir →

Perguntas rápidas

Precisa ter visto As Cores do Mal: Vermelho antes? Não precisa. Os casos são independentes e o filme se explica sozinho. Ver o primeiro só ajuda a entender de onde vem o cansaço do promotor Bilski, que é o fio que liga os dois. Ver a ficha de Vermelho →

Vai ter mais filmes da franquia? Material não falta: além de Vermelho e Preto, a autora Małgorzata Oliwia Sobczak já publicou outros cinco livros da série, entre 2021 e 2026. A Netflix, porém, não anunciou nada oficialmente até agora.

É pesado mesmo ou é exagero? É pesado de verdade. O crime central envolve criança, o filme não corta na hora do desconforto e termina sem alívio. Se esse é um limite seu, esse limite vai ser tocado.

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